1 de outubro de 2017 Blog

De Évora a Braga – 7 etapas, 1000 km em 10 dias

PRÓLOGO – DE CASCAIS A ÉVORA

98 km – 860 ganho de elevação – 4:49h

Claro que toda esta aventura será contada em livro mas há que dar conta do desafio de forma breve tentando que as imagens também falem por si. Este texto está dividido em duas partes: a primeira descreve o percurso realizado até Castelo Branco e a segunda parte acompanha a saga vivida até à Foz do Tua. Este percurso de quase 1000 km, mais precisamente 968 km, começou em Cascais, passou por Setúbal, Évora, Estremoz, Portalegre, Castelo Branco, Fundão, Guarda, Torre de Moncorvo, Macedo de Cavaleiros, Bragança, Torre de Dona Chama e terminou na Foz do Tua, onde apanhámos de volta o comboio para Lisboa. Decidimos partir em autonomia, sem qualquer viatura de apoio para termos a oportunidade de comparar o viajar em Portugal com experiências vividas na França e na Alemanha. Oficialmente Évora foi o local da partida porque aí retomámos o itinerário de 1927 que temos vindo a seguir, etapa a etapa. Fomos de comboio até Setúbal e, já de bicicleta, até Évora – parte do percurso foi feito pela N 10, a qual não tem berma e, por isso mesmo, será sempre um trajecto a evitar. Idealmente a melhor opção é ir por Tróia e chegar a Évora via Alcácer do Sal.

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E vão duas – carregadas com o indispensável para fazer dez dias de viagem
Estrada de terra ideal para fazer todo o ano excepção para os meses de verão, nomeadamente quando não se leva água que chegue para aliviar a secura.

 8ª ETAPA: ÉVORA – ESTREMOZ – PORTALEGRE

58 km – 580 ganho de elevação – 2:45h

De Évora parte um rede de ramais de ferrovia abandonada que dava para ser o maior parque de ecopistas da Europa, uma vez que já não é possível voltar a ter comboios. Temos, 1. o ramal que vai para Reguengos, 2. o ramal que segue para Casa Branca, 3. o que vai para Estremoz e que depois se divide em dois trajetos, o 3a. que segue para Cabeço de Vide e outro, o 3b. que vai até VilaViçosa e, por último, 4. o ramal de Mora, o único que está ao cuidado da Câmara de Évora que o recuperou até Arraiolos. Paradoxalmente para manter a Ecopista do ramal de Mora, a Câmara Municipal de Évora paga anualmente à CP o montante de 6 964,43 Euros. Falta à CP dispor de transporte de bicicletas nos comboios Inter-cidades até Évora.

Praça do Giraldo, Évora
Ecopista do ramal de Mora

 8ª ETAPA: ÉVORA – ESTREMOZ – PORTALEGRE

87 km – 1136 ganho de elevação – 4:49h

É neste percurso que coloquei em causa a hipótese da qual parti no inicio deste projeto: se queremos ter este circuito turístico pronto a usar há que construir muitos km de ciclovias a ligar as várias cidades. Não é verdade! Temos uma rede de estradas enorme e há muitas sem transito que até lembram as ecopistas existentes em França e na Alemanha. Só temos de elaborar mapas com vias verdes, nas quais as bicicletas têm prioridade. Neste tipo de vias os automobilistas, que partilham a via, sabem de antemão que têm de ter cuidado porque é uma via que pertence à rede ciclável nacional. 

N245 – uma reta com cerca de 30 km, de Sousel a Alter do Chão, passando por Fronteira
Fronteira – Igreja da Misericórdia
Alter do Chão

8ª ETAPA: PORTALEGRE – CASTELO BRANCO

114,4 km – 1654 ganho de elevação – 6:00h

Este foi um dos percursos mais longos deste desafio. A primeira parte, até Castelo de Vide, que passa pelas faldas do Marvão, é completamente distinta da segunda parte, que passa por Nisa, Vila Velha de Rodão e acaba em Castelo Branco, no que à paisagem diz respeito. Não fosse de bicicleta eléctrica e nunca realizaria este percurso. A Estrada da Serra que sai de Portalegre sobe desde o centro da cidade e entra a pique no Parque Natural da Serra de S. Mamede. Até Portagem, no sopé do Marvão, o percurso oferece uma paisagem, no inicio, de pinheiro e eucalipto mas, depois, a descer para Portagem temos uma “avenida” ladeada por soutos de castanheiros bordejados por sobreiros bem antigos. Todo este percurso pode fazer parte do mapa de vias verdes que defendemos. Entre Marvão e Castelo de Vide os afloramentos de granito são autênticos monumentos erguidos em redor da estrada M 1036, uma estrada sinuosa, muito bonita e sem transito. De Castelo de Vide a Nisa a paisagem muda completamente, saímos da serra e atravessamos planícies de perder de vista. Descer para Vila Velha de Rodão foi um tormento porque toda a encosta tinha ardido dias antes, a atmosfera era pesada e respirar queimava o peito, valeu a vista para o Tejo que refrescava o olhar e nos ajudava a ultrapassar o silêncio daquele sepulcro. Da travessia da planície que circunda Castelo Branco ficou-nos na memória a subida para Retaxo que deu cabo das cargas das baterias das bicicletas, para não falar das pernas, mas lá conseguimos chegar a Castelo Branco. Entrar na cidade é um busílis para quem chega de bicicleta porque a cidade, a jusante, está cercada de vias rápidas.

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Pela Estrada da Serra de S. Mamede
A chegar a Portagem - Marvão
Portagem. Ao cimo, Marvão.
A caminho de Castelo de Vide, por estradas que parecem ciclovias, sem tráfego.
Castelo de Vide
Nisa
Portas de Rodão - rio Tejo

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